Carnaval sob suspeita: “Piratão” quer quebra de sigilo de jurados e dirigentes da Liesap

O Carnaval do Amapá, que era para ser uma festa popular, pode acabar na Justiça; há suspeita de compra de votos de jurados e favorecimento a determinadas agremiações.

 

(Macapá-AP) - A Escola de Samba Piratas da Batucada, o “Piratão”, manifestou indignação com o resultado do Camaval do Amapá em 2026, que culminou com o rebaixamento inédito da escola ao Grupo de Acesso. A agremiação obteve 178,4 pontos na soma das notas, e atribui o resultado a supostas irregularidades na apuração.

Num comunicado divulgado na quarta-feira (18), a escola afirma respeitar a competição e o regulamento, mas sustenta que houve fatos graves no processo de julgamento e apuração. Entre as irregularidades apontadas estariam inconsistências formais, como rasura em nota atribuída por julgadora, o que, segundo a agremiação, compromete a segurança, a transparência e a credibilidade do resultado final.

O comunicado do Piratão também destaca prejuízo concentrado em quesitos específicos, especialmente em Bateria,apesar da execução apresentada na avenida. A escola argumenta que erros visíveis de outras agremiações não teriam recebido a mesma rigorosidade nas notas, o que reforçaria a tese de tratamento desigual.

"O Piratão jamais se recusará a assumir penalidades quando comete falhas. Mas o que ocorreu não se trata de erro pontual de desfile", diz o texto, ao afirmar que há indícios sérios que exigem apuração.

Diante disso, a diretoria informou que recorrerá ao Judiciário e também provocará o Ministério Público para investigar a regularidade formal das cédulas, os critérios adotados pelos julgadores, o cumprimento integral do regulamento, a transparência da apuração e o processo de escolha e credenciamento dos jurados. A escola anunciou que solicitará a quebra de sigilo bancário e telefônico de julgadores e dirigentes da Liga.

Ao final, a Piratas da Batucada reforça que o Carnaval do Amapá é patrimônio cultural e deve ser conduzido com responsabilidade, técnica, imparcialidade e lisura. “Defender o Piratão é defender a credibilidade do espetáculo", conclui a nota.


SUSPEITA DE COMPRA DE VOTO

Assim que foi anunciado o resultado do desfile, com o rebaixamento do Piratão, grupos de WhatsApp passaram a denunciar possíveis irregularidades no processo de apuração, como uma suposta compra de votos por uma figura influente do Governo, contra a Piratas da Batucada.

Áudios também circularam com denúncias graves sobre o assunto, bem como conversas de WhatsApp onde supostamente um jurado identificado com o prenome de Jackson, teria recebido dinheiro (R$ 4 mil) para prejudicar o Piratão, segundo ele próprio admite durante conversa com outra pessoa (veja print da conversa do tal Jackson, nessa matéria).

Num dos áudios, uma pessoa diz: “Esse Jackson foi o jurado que julgou bateria, e que confessa que recebeu dinheiro pra dar nota baixa”.

No áudio, Jackson diz a um interlocutor haver recebido dinheiro para dar notas baixas aos concorrentes: “Mano, o ‘mestre’ pediu que não é pra dar 10 pra ninguém. Mas deu 10 pra Império do Povo e 9.9 que era pro Piratão”, diz uma voz de homem, no áudio, atribuída a Jackson.

Nesses mesmos grupos de WhatsApp, simpatizantes da Piratão alegam que “a Boêmios do Laguinho é apadrinhada do deputado Rodolfo Vale, genro do governador Clécio”. A Escola Boêmios do Laguinho foi a campeão do Grupo Especial, do qual a Piratão foi rebaixada.

Ainda segundo essas conversas, o diretor artístico da LIESAP (Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá), o advogado Arthur Lobo, e o Diretor Jurídico da LIESAP, o advogado Mauro Júnior (ex-candidato a presidência da OAB/AP), seriam os homens de confiança do presidente da LIESAP que, curiosamente, era o ex-presidente da AMPREV (Amapá Previdência), Jocildo Lemos, e alocou os dois no setor jurídico da AMPREV.

As conversas nos aplicativos relacionam Jocildo Lemos, o deputado Rodolfo Vale e, indiretamente, o próprio governador Clécio, num suposto esquema de compra do resultado do desfile a favor da Boêmios e contra a Piratão.

Até o fechamento desta matéria a Piratão não havia acionado a Justiça, nem o Ministério Público acerca do assunto. O espaço está aberto para a manifestação de ambas as partes.

Fonte: Da Redação, com informações de agências. Imagens: Divulgação/Internet.

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