Há apenas 75 dias no cargo, advogada Renilda Costa tenta combater corrução na FSA mas é exonerada da presidência do órgão
(Macapá-AP) - Funcionários da Fundação Socioeducativa do
Amapá (FSA), antiga FCRIA, reagiram com críticas ao Governo do Estado à
exoneração da advogada Renilda Costa do cargo de presidente da FSA, função que
exercia desde o dia 7 de agosto de 2025.
Nas redes sociais, servidores da Fundação denunciaram
interesses escusos por trás da exoneração da presidente, e culparam uma
liderança evangélica local pela demissão da advogada.
O site “Bamba News” denunciou, na manhã desta quarta-feira,
22, que “a integridade da advogada custou o seu cargo, e que ela foi exonerada
em tempo recorde porque cortou irregularidades ao identificar e barrar desvios
em contratos”.
Segundo Bamba, “a exoneração expõe os bastidores da atual
gestão pública, e que o governador Clécio Luís apura o caso e estuda sua
recondução ao serviço público”.
Ainda de acordo com a publicação, citando fontes internas da
FSA, “a saída súbita é uma retaliação direta pela postura inflexível da profissional,
que identificou uma série de irregularidades em contratos públicos e se recusou
a pactuar com elas, cortando uma série de ilegalidades nesses contratos”.
Essa mesma fonte teria informado ao Bambam News que, ao
assumir a direção da Fundação, Renilda teria se deparado com contratos que feriam
a legislação. “Ao invés de se omitir, a gestora agiu para interromper as falhas,
garantindo que os recursos públicos fossem aplicados com a devida legalidade”.
A conduta, todavia, não teria sido bem recebida pelos beneficiários
das irregularidades. Especula-se que uma liderança evangélica local, que tem
livre-trânsito no Governo, teria pedido a exoneração de Renilda Costa, que foi
aceita pelo governador.
APOIO DOS
FUNCIONÁRIOS
Pedindo para falar sob condição de anonimato, um servidor da
Fundação – representando outros colegas – disse que a categoria “respeita e
reconhece a conduta ética, técnica e corajosa da Drª. Renilda Costa, cuja
recente exoneração da gestão da FSA suscita sérias reflexões sobre os desafios
enfrentados por servidores públicos que se mantêm fiéis aos princípios da
legalidade e da moralidade administrativa”.
A fonte disse também que “a atuação firme ao identificar e
barrar irregularidades contratuais, bem como a coragem de formalizar denúncias
aos órgãos competentes, evidencia um compromisso inegociável com a
transparência, o interesse público e a correta aplicação dos recursos do Estado”.
“Lamentavelmente, ao invés de ser reconhecida por sua
integridade, foi afastada de forma abrupta — um movimento de fato que configura
retaliação. Tal medida, além de injusta, representa um grave retrocesso na luta
por uma gestão pública limpa, responsável e comprometida com o bem comum”,
opinou a fonte.
E alertou: “Ressalto que a omissão ou conivência do Governo,
diante dessas irregularidades, compromete não apenas a eficiência e a
credibilidade da administração pública, mas também expõe a gestão a
consequências jurídicas graves, incluindo responsabilização administrativa,
civil e penal prevista na Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992)
e na legislação criminal correlata, além de perda de confiança da sociedade”.
Ele disse esperar “que esse episódio não
se perca no silêncio, mas inspire o fortalecimento de uma cultura pública
orientada pela verdade, pela justiça e pelo compromisso de gestores que,
verdadeiramente, falam em nome de Deus”, referindo-se ao suposto envolvimento
de uma importante liderança evangélica local na exoneração da presidente.
Fonte: Da Redação. Imagem: Divulgação/FSA.
Comentários
Postar um comentário